Mundo
Manifesto. Suspeito explica motivações "anti-Tump" e ironiza com falta de segurança
Segundo o New York Post, o atirador enviou um manifesto contra o presidente Donald Trump a vários familiares cerca de dez minutos antes de abrir fogo no Jantar dos Correspondentes, na Casa Branca.
O mesmo jornal refere que o atirador se apresenta como "Assassino Federal Amigável" no manifesto, em que assume que pretendia matar funcionários da Administração Trump, por recusar "cumplicidade" com os "crimes do opressor".
No documento, define como alvos os funcionários da Administração, dando prioridade "do cargo mais alto ao mais baixo", à exceção do diretor do FBI, Kash Patel.
O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, adiantou que "os resultados preliminares" sugerem que o alegado atirador do jantar dos correspondentes da Casa Branca tinha como alvo Donald Trump e outros funcionários da Administração. "Como cristão, deves dar a outra face. (...) Dar a outra face é para quando se é oprimido. Não sou eu a pessoa violada num centro de detenção. Não sou o pescador executado sem julgamento. (...) Não sou um estudante que fizeram explodir, ou uma criança faminta, ou uma adolescente abusada pelos muitos criminosos deste governo. Dar a outra face quando 'alguém' é oprimido não é um comportamento cristão; é cumplicidade com os crimes do opressor", argumentou.
O suspeito apresenta-se como "um cidadão dos Estados Unidos" e que "o que os meus representantes fazem reflete-se em mim".
"E eu já não estou disposto a permitir que um pedófilo, violador e traidor lave as minhas mãos com os seus crimes", aponta, numa aparente referência a Trump.
Descreve, no documento, que usaria no ataque armas de menor penetração "para minimizar as baixas", mas que enfrentaria "quase toda a gente" para chegar "aos alvos" em caso de necessidade.
Explica que "a maioria das pessoas 'escolheu' assistir ao discurso de um pedófilo, violador e traidor, e portanto são cúmplices", pelo que essas baixas, argumenta, seriam justificadas. "Mas espero sinceramente que não chegue a esse ponto", acrescenta.
Os investigadores acreditam que o suspeito viajou de comboio de Los Angeles para Chicago e depois de Chicago para Washington D.C. também de comboio, antes de se hospedar no hotel onde se realizou o jantar.
Os investigadores acreditam que o suspeito viajou de comboio de Los Angeles para Chicago e depois de Chicago para Washington D.C. também de comboio, antes de se hospedar no hotel onde se realizou o jantar.
"Este nível de incompetência é insano"
Já dentro do hotel, o suspeito ironizou no manifesto com a "insana" falta de segurança do Washington Hilton.
"A primeira coisa em que reparei ao entrar no hotel foi a sensação de arrogância. Entro com várias armas e ninguém ali sequer coloca a hipótese de eu representar uma ameaça", resume.
Afirma mesmo que agentes iranianos poderiam ter planeado um ataque muito mais devastador "e ninguém teria reparado em nada".
"A primeira coisa em que reparei ao entrar no hotel foi a sensação de arrogância. Entro com várias armas e ninguém ali sequer coloca a hipótese de eu representar uma ameaça", resume.
Afirma mesmo que agentes iranianos poderiam ter planeado um ataque muito mais devastador "e ninguém teria reparado em nada".
“A segurança no evento está toda do lado de fora, focada nos manifestantes e nas pessoas que chegam agora, porque aparentemente ninguém pensou no que acontece se alguém fizer o check-in no dia anterior. Tipo, este nível de incompetência é insano, e espero sinceramente que seja corrigido até que este país volte a ter uma liderança realmente competente”, acrescenta.
No manifesto, o atacante refuta a máxima "A César o que é de César", sublinhando que "os representantes e juízes não seguem a lei", e por isso "ninguém é obrigado a dar-lhes algo que tenha sido ordenado de forma ilegal".
Admitindo que a sua ação não conseguiria possivelmente incluir "todos" os que pretendia atingir, o suspeito afirma que "é preciso começar por algum lado".
O suspeito ainda não foi formalmente identificado, mas a Associated Press avançou nas últimas horas que se trata de Cole Tomas Allen, de 31 anos, residente em Torrance, no estado da Califórnia.
Cole Tomas Allen não tem antecedentes criminais e era criador de jogos. Era professor a tempo parcial e preparava estudantes antes de estes ingressarem na univesidade.
"Se alguém estiver curioso para saber como é fazer algo deste género: é horrível. Dá vontade de vomitar; dá vontade de chorar por todas as coisas que queria fazer e nunca farei, por todas as pessoas cuja confiança foi traída; sinto raiva só de pensar em tudo o que esta Administração fez. Não posso realmente recomendar! Fiquem na escola, miúdos!", conclui.
Em entrevista à Fox News, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o suspeito é "um sujeito muito doente e muito perturbado".
Acrescentou que o suspeito parecia ter "ódio no coração há algum tempo" e que é "fortemente anti-cristão", tendo escrito um manifesto a esse respeito.
"Ao ler o manifesto, percebe-se que odeia os cristãos, não há dúvidas", acrescentou.